| o "Divino" em ação |
Ademir nasceu em 3 abril de 1942, era filho de Domingos da Guia, ex-jogador que passou pelo Bangu (RJ), Vasco (RJ), Peñarol (Uruguai), Boca Juniors (Argentina) e Corinthians (SP).
Ele seguiu os passos do pai iniciando a sua carreira no Bangu, mas foi a sua ida para o Palmeiras, em 1961 que começou a voar.
Além do início de carreira, Ademir ganhou o apelido do pai, sendo chamado de "Divino".
Aos 21 anos, foi eleito o melhor jogador do Campeonato Paulista de 1963, conquistado com a camisa do Palmeiras. Firmou-se como titular do time paulista justamente naquele ano e não deixou mais a equipe até 1977.
Da Guia é considerado o maior ídolo da história do clube alviverde. O jogador chegou a ganhar uma estátua dele na sede do clube. Conquistou o bi Campeonato Brasileiro (72/73) e cinco títulos paulistas (63/66/72/74/76), sempre como o comandante do meio-campo.
"Ele tinha facilidade para fazer jogada muito difícil: dominava a bola alta que vinha de frente, com a perna esticada. Ele pegava ela no ar, e parece que a bola grudava no pé dele. Tinha elegância, o toque refinado, uma visão de campo impressionante. Sua colocação era perfeita. Ele parecia estar em todos os lugares do campo", diz o ex-atacante Leivinha, companheiro de Ademir da Guia no Palmeiras e na seleção que disputou a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha.
Apesar de ídolo no Palmeiras, Da Guia teve poucas participações com a camisa da seleção brasileira. Sua primeira chance apareceu apenas em 1965. Sob o comando do técnico Vicente Feola, Da Guia foi titular da seleção em três amistosos com vitórias de 5 a 1 sobre a Bélgica e 2 a 1 sobre a Alemanha e empate em 0 a 0 contra a Argentina.
No quarto jogo, foi substituído aos 20min do primeiro tempo, quando o Brasil já vencia a Argélia por 3 a 0. Em seu lugar, entrou Gérson.
Ademir não seria convocado novamente para a seleção até 1974, ou seja, nove anos depois.
Na Copa de 74, apesar de estar no auge de sua forma física e técnica, mesmo aos 33 anos, não ficou nem no banco de reservas em todas as partidas, exceto na disputa do terceiro lugar contra a Polônia. No dia da partida, os jogadores almoçavam na concentração da seleção. Ademir da Guia, já conformado com sua ausência no time, repetia a sobremesa quando foi avisado por um auxiliar de Zagallo, o técnico da seleção na época, de que jogaria a partida à tarde, poucas horas depois.
Mesmo sem atuar por cerca de dois meses que era o tempo da preparação da seleção e dos dias de Copa já decorridos, Da Guia foi um dos melhores da seleção no jogo. Inexplicavelmente, foi substituído logo no início do segundo tempo. Questionado pela imprensa, revoltada com a derrota, Zagallo alegou que Da Guia pedira para sair. Elegantemente, o jogador confirmou a falsa versão. Mais tarde, receberia uma mensagem do preparador físico Admildo Chirol, em que Zagallo mandava agradecer por ele não ter criticado sua substituição.
Até hoje Ademir ainda mantém o mesmo estilo calmo, correto e elegante que porta pelo menos desde que entrou no esporte. "Não sou frustrado por não ter tido muitas chances na seleção. O futebol me deu muitas alegrias, é meu ganha-pão até hoje. A ausência na seleção, na verdade, fez com que eu me aprimorasse mais, a cada dia. Não adiantava nada eu reclamar ou criar polêmica. Sempre pensei que jogador de futebol não pode ficar irritado porque está na reserva ou não foi para a seleção. Tem é de trabalhar, mais e mais, para se superar e, se a vaga surgir, ele estar pronto".