sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ademir da Guia, o "Divino Palmeirense"

o "Divino" em ação
Ademir da Guia foi um dos maiores meias do futebol brasileiro. Com sua técnica apurada e seu estilo tranqüilo, elegante e eficiente, encantou milhões de pessoas mas, mesmo com esse talento e o respeito de muitos, teve pouquíssimas chances de atuar com a camisa da seleção Brasileira.
Ademir nasceu em 3 abril de 1942, era filho de Domingos da Guia, ex-jogador que passou pelo Bangu (RJ), Vasco (RJ), Peñarol (Uruguai), Boca Juniors (Argentina) e Corinthians (SP).
Ele seguiu os passos do pai iniciando a sua carreira no Bangu, mas foi a sua ida para o Palmeiras, em 1961 que começou a voar.
Além do início de carreira, Ademir ganhou o apelido do pai, sendo chamado de "Divino".
Aos 21 anos, foi eleito o melhor jogador do Campeonato Paulista de 1963, conquistado com a camisa do Palmeiras. Firmou-se como titular do time paulista justamente naquele ano e não deixou mais a equipe até 1977.
Da Guia é considerado o maior ídolo da história do clube alviverde. O jogador chegou a ganhar uma estátua dele na sede do clube. Conquistou o bi Campeonato Brasileiro (72/73) e cinco títulos paulistas (63/66/72/74/76), sempre como o comandante do meio-campo.






"Ele tinha facilidade para fazer jogada muito difícil: dominava a bola alta que vinha de frente, com a perna esticada. Ele pegava ela no ar, e parece que a bola grudava no pé dele. Tinha elegância, o toque refinado, uma visão de campo impressionante. Sua colocação era perfeita. Ele parecia estar em todos os lugares do campo", diz o ex-atacante Leivinha, companheiro de Ademir da Guia no Palmeiras e na seleção que disputou a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha.



Apesar de ídolo no Palmeiras, Da Guia teve poucas participações com a camisa da seleção brasileira. Sua primeira chance apareceu apenas em 1965. Sob o comando do técnico Vicente Feola, Da Guia foi titular da seleção em três amistosos com vitórias de 5 a 1 sobre a Bélgica e 2 a 1 sobre a Alemanha e empate em 0 a 0 contra a Argentina.
No quarto jogo, foi substituído aos 20min do primeiro tempo, quando o Brasil já vencia a Argélia por 3 a 0. Em seu lugar, entrou Gérson.
Ademir não seria convocado novamente para a seleção até 1974, ou seja, nove anos depois.
Na Copa de 74, apesar de estar no auge de sua forma física e técnica, mesmo aos 33 anos, não ficou nem no banco de reservas em todas as partidas, exceto na disputa do terceiro lugar contra a Polônia. No dia da partida, os jogadores almoçavam na concentração da seleção. Ademir da Guia, já conformado com sua ausência no time, repetia a sobremesa quando foi avisado por um auxiliar de Zagallo, o técnico da seleção na época, de que jogaria a partida à tarde, poucas horas depois.
Mesmo sem atuar por cerca de dois meses que era o tempo da preparação da seleção e dos dias de Copa já decorridos, Da Guia foi um dos melhores da seleção no jogo. Inexplicavelmente, foi substituído logo no início do segundo tempo. Questionado pela imprensa, revoltada com a derrota, Zagallo alegou que Da Guia pedira para sair. Elegantemente, o jogador confirmou a falsa versão. Mais tarde, receberia uma mensagem do preparador físico Admildo Chirol, em que Zagallo mandava agradecer por ele não ter criticado sua substituição.
Até hoje Ademir ainda mantém o mesmo estilo calmo, correto e elegante que porta pelo menos desde que entrou no esporte. "Não sou frustrado por não ter tido muitas chances na seleção. O futebol me deu muitas alegrias, é meu ganha-pão até hoje. A ausência na seleção, na verdade, fez com que eu me aprimorasse mais, a cada dia. Não adiantava nada eu reclamar ou criar polêmica. Sempre pensei que jogador de futebol não pode ficar irritado porque está na reserva ou não foi para a seleção. Tem é de trabalhar, mais e mais, para se superar e, se a vaga surgir, ele estar pronto".

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Pelé o Rei do Futebol

Pelé é considerado o maior jogador da história do futebol e recebeu o título de Atleta do Século 20, em 15 de maio de 1981, a partir de uma eleição promovida pelo jornal francês "L'Equipe".
Nascido na cidade mineira de Três Corações, filho de Celeste e de João Ramos do Nascimento, jogador de futebol no sul de Minas Gerais, conhecido como Dondinho, Pelé desde criança manifestou a vontade de ser jogador de futebol como o pai.
O apelido com que se tornou conhecido originou-se de um episódio relacionado a um goleiro, colega de Dondinho. Em 1943, o pai de Pelé jogava no time mineiro do São Lourenço. Pelé, com apenas tinha três anos, ficou impressionado com as defesas do goleiro da equipe e gritava: "Defende Bilé". As pessoas próximas começaram a chamá-lo de "Bilé", mas as crianças entenderam o apelido como "Pelé".
Em 1945, a família mudou-se para Bauru, interior de São Paulo. Com dez anos Pelé já jogava em um time infanto-juvenis como o Canto do Rio, Ameriquinha e Baquinhos. O pai então o estimulou a montar o seu próprio time: chamou-o Sete de Setembro. Para adquirir material, como bolas e uniformes, os garotos do time chegaram a vender produtos em entrada de cinema e praças. Pelé trabalhava como engraxate.
Descoberto aos 11 anos pelo jogador Waldemar de Brito, foi convidado a jogar no Bauru Atlético Clube. O mesmo Waldemar o apresentou à Vila Belmiro no dia 8 de agosto de 1956 dizendo: "Esse menino vai ser o melhor jogador de futebol do mundo". Assim começou a carreira de Pelé no Santos F.C., estreando em uma partida amistosa cujo resultado foi Santos 7 x 1Corinthians de Santo André (com um gol de Pelé).
Aos 16 anos, participou de um torneio de quatro equipes européias e brasileiras. O time em que atuou foi um combinado do Santos e do Vasco da Gama e, em uma das partidas, Pelé fez três gols.
Sua consagração veio na Copa do Mundo da Suécia, em 1958, quando o Brasil foi pela primeira vez campeão mundial. Pelé marcou seis gols. Na Copa do Chile, em 1962, Pelé sofreu uma distensão muscular no jogo contra a Tchecoslováquia e deu adeus ao torneio, deixando Garrincha brilhar.
Pelé participou ainda da Copa de 1966, na Inglaterra, e da Copa de 1970 no México, quando a seleção trouxe para o Brasil a taça Jules Rimet.

Apelidado de "O Rei" pela imprensa francesa, em 1961, criou e aperfeiçoou jogadas que encantaram o mundo: o chute a gol do meio do campo, a tabela nas pernas do adversário, o drible sem bola no goleiro, a paradinha na cobrança do pênalti.
Em 1966, Pelé casou-se com Rosemeri Cholbi, com quem teve três filhos: Kelly Cristina, Edson (Edinho) e Jennifer. Em 1969, em meio a guerra civil no Congo Belga, as forças rivais declararam uma trégua para que Pelé e o time do Santos F.C. transitassem em segurança entre Kinshasa e Brazzaville.

Marco

O milésimo gol foi marcado em 19 de novembro de 1969, às 23h11, em sua 909º partida, Vasco da Gama 1 x 2 Santos. Ao ser cercado pelos repórteres, Pelé disse: "Pensem no Natal. Pensem nas criancinhas". Pelé vestiu uma camisa de número 1000 e deu a volta olímpica no Maracanã.



Pelé participou de 115 partidas pela seleção brasileira (92 oficiais), marcando 103 gols. O último jogo pela seleção foi no Maracanã, em 18 de julho de 1971, Brasil 2 x 2 Iugoslávia.
Professor de Educação Física pela Faculdade de Educação Física de Santos (Universidade Metropolitana de Santos), fez a última partida pelo Santos em 3 de outubro de 1974: Santos 2x0 Ponte Preta.
Transferiu-se para o New York Cosmos em 1975, fechando a maior transação do futebol até o fim dos anos 1970 (US$ 7 milhões). A última partida pelo time americano foi: New York Cosmos 2 x 1 Santos, no Giants Stadium (Nova York), em 1 de outubro de 1977. Pelé atuou um tempo por cada equipe. Sua despedida definitiva do futebol deu-se aos 37 anos.
No início dos anos 1990, reconheceu duas filhas fora do seu casamento: Flávia Kurtz e Sandra Regina. Em 1994 casou-se com a psicóloga Assíria Lemos, com quem teve os gêmeos Joshua e Celeste.
Depois que pendurou as chuteiras número 39, Pelé se tornou embaixador para Ecologia e Meio ambiente (ONU 1992), embaixador da Boa Vontade (UNESCO 1993), embaixador para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco 1994) e durante o governo de Fernando Henrique Cardoso foi Ministro dos Esportes do Brasil de 1995 a 1998.
Pelé recebeu, em 1997, o título de Sir-Cavaleiro Honorário do Império Britânico, das mãos da Rainha Elizabeth 2ª. O título de Maior Futebolista do Século veio em 1999, pela Unicef, na Áustria, e seguiram-se muitos outros.
Em 2000, na conturbada eleição de Melhor Jogador do Século da FIFA, Pelé foi aclamado como o melhor de todos os tempos, à frente do craque argentino Diego Maradona.
Além de jogador de futebol, Pelé gravou CDs e participou em 10 filmes.